Internação Psiquiátrica: O que as famílias pensam sobre isso?

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Raissa de Brito Braga
Renata Fabiana Pegoraro

Resumo

As famílias participam do cuidado informal de pessoas em sofrimento psíquico no Brasil, o que inclui a identificação da necessidade de busca por serviços de saúde tanto extra quanto hospitalares. Este artigo tem o objetivo de investigar, a partir do itinerário terapêutico de pessoas em situação de sofrimento mental, como as famílias percebem a necessidade de internação e a efetividade desse recurso. Participaram dez familiares de pessoas em tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial com, ao menos, uma internação psiquiátrica. Foi empregado um roteiro de entrevista semi-estruturado sobre caracterização sociodemográfica e questões norteadoras sobre a procura por serviços de saúde mental e a avaliação a respeito dos mesmos, sendo a análise efetuada a partir da Teoria Fundamentada em Dados. A internação psiquiátrica aparece como primeiro recurso de saúde usado, mantendo a função histórica de hospedar, alimentar e medicar o usuário, sem oferta de intervenções que incluíssem as famílias.

Detalhes do artigo

Como Citar
BRAGA, Raissa de Brito; PEGORARO, Renata Fabiana. Internação Psiquiátrica: O que as famílias pensam sobre isso?. Revista Psicologia e Saúde, Campo Grande, v. 12, n. 1, p. 61–73, 2020. DOI: 10.20435/pssa.v12i1.820. Disponível em: https://pssaucdb.emnuvens.com.br/pssa/article/view/820. Acesso em: 24 fev. 2026.
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Raissa de Brito Braga, Universidade Federal de Uberlândia

Mestranda em Psicologia - UFU

Psicologa pela UFU

Renata Fabiana Pegoraro, Universidade Federal de Uberlândia - UFU Instituto de Psicologia - IPUFU Campus Umuarama

Doutora em Psicologia pela USP/ Ribeirão, Mestre em Psicologia pela USP/Ribeirão, Especialista em Saúde Coletiva pela UFSCar, Psicologa pela USP/Ribeirão. Atualmente Profa Adjunta do Instituto de Psicologia da UFU - Universidade federal de Uberlândia.

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