Tédio e Procrastinação como Modos de Res(ex)istência no Contemporâneo
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Palavras-chave

pós-modernidade
tédio
COVID-19
produtividade

Como Citar

LIMA-SANTOS, André Villela de Souza; SANTOS, Manoel Antônio dos. Tédio e Procrastinação como Modos de Res(ex)istência no Contemporâneo. Revista Psicologia e Saúde, Campo Grande, v. 15, n. 1, p. e15212428, 2023. DOI: 10.20435/pssa.v15i1.2428. Disponível em: https://pssaucdb.emnuvens.com.br/pssa/article/view/2428. Acesso em: 5 mar. 2026.

Resumo

Neste estudo teórico, buscamos refletir sobre o significado do tédio e da procrastinação no contexto pós-moderno, especialmente após a incidência dos traumatismos coletivos decorrentes da pandemia da COVID-19. Em diálogo com o pensamento de Foucault, Heidegger e Han, analisamos o protagonista do romance russo homônimo Oblómov para problematizar a recusa do indivíduo diante do imperativo da produtividade, no caso, no mundo social em transição do final do século XIX, com a acelerada urbanização e crescente industrialização. Apontamos que, após um século e meio, no processo de expansão do capitalismo, a relação da humanidade com o tempo e o espaço se alterou significativamente. O tempo se tornou um inimigo do indivíduo, um obstáculo a ser eliminado em um período dominado pela globalização, que intensifica os fluxos de produção e circulação de mercadorias. Tomamos o personagem Oblómov como representação alegórica do sujeito que se sente esmagado pelo tempo e tenta se defender da pressão para produzir até o limite da extração de potência de seu corpo, entregando-se ao tédio e à procrastinação. Destituído dos meios para agenciar sua existência, Oblómov é o suprassumo do sujeito do capitalismo contemporâneo: sua estratégia individualista de resistência acaba debilitando suas forças e esvaziando seu cotidiano de sentido.

https://doi.org/10.20435/pssa.v15i1.2428
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